Homem Também Chora


Solidão não é

Nem está

 

Solidão foi

Talvez

aposta no futuro

desprezo por agoras

 

Foi medo de si

Medo de se

Se fosse assim

Fosse amado

 

 

Solidão não está

Foi ali beber

Com colegas de trabalho

Esfolar-se um pouco mais

Acordar em carne viva

 

Viva, a própria sozinhês de domingo

Nem carro a incomodar ligeiramente

Marteloprego no vizinho

Um nada

 

Agora,

só lidam passado

 

Mas sexta feira é logo ali

Logo logo, volta o Sol

E dão dias de

Carne esfolada

Mente apagada

 

E dão mais cinco

Cicatriza

Esfola e dão

Mais outros pingos

 

 

Deixa-me a só, então, comigo

Pra experimentar o que é ser

outra coisa que não três

Não profissão, não cor da pele

time político ou partido de futebol

 

 

Solidão não foi azar

Fui só

eu em carne viva

 

Viva, a impressão de que vivi

Até o tempo de chegar,

cruzar a sala

e me sentar

Com minhas marcas

já quelóides companhias

Do esfolatório, social

dia-a-dia

 

 

 

Solidão foi só

Sentar-me e aguardar

Que as dores do reencontro comigo

na volta do qualquer bar

 

 

Voltassem a latejar



Escrito por Felipe Lesage às 03h12
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