invernal
temo sempre o impulso do fazer pois a vontade pulsante distancia-me como um terremoto como excesso
vontade vitrificar um simples completamente denso, roxo de tao azul de tão vermelho fim de dia de inverno
como explicar pra mim mesmo o azul? o vermelho que desde a infancia me inquieta e é so cor mas quase resposta
querer um algo outra existência lateral entender um pôr-do-sol sem palavras sem canção que não o tempo
tempo...canção proibida!
como o poente aos cegos aos bobos
fêmea eterna e toda que várias sejam inverno canção cor
que tempo é uma canção de dia uma paleta de cor à noite
ensina-me a desvendar o inverno que eu lhe descubro quem eu sou
afundemo-nos, fêmea em nós mesmos em busca de tudo que há de pior e mais bruto, e mais belo e forte
voluta em torno de mim descasca rasga com as unhas, pouco a pouco o que desaprendi a ser sentir
encontra e entende lilás lágrima orgasmo movimento
enfim tudo que é, em mim
tempo
canção proibida
Escrito por Felipe Lesage às 17h35
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