Homem Também Chora


     invernal

 

temo
sempre
o impulso do fazer
pois a vontade pulsante
distancia-me
como um terremoto
como excesso

vontade
vitrificar um simples
completamente denso, roxo de tao azul
de tão vermelho
fim de dia de inverno


como explicar
pra mim mesmo
o azul?
o vermelho
que desde a infancia me inquieta
e é so cor
mas quase resposta

querer um algo
outra existência
lateral
entender um pôr-do-sol
sem palavras
sem canção que não
o tempo

tempo...canção proibida!

como o poente
aos cegos
aos bobos

fêmea eterna e toda
que várias sejam
inverno
canção
cor

que tempo é uma canção de dia
uma paleta de cor à noite


ensina-me a desvendar
o inverno
que eu lhe descubro quem eu sou

 

afundemo-nos,
fêmea
em nós mesmos
em busca de tudo que há de pior
e mais bruto, e mais belo
e forte


voluta em torno de mim
descasca
rasga com as unhas, pouco a pouco
o que desaprendi a ser
sentir

encontra
e entende
lilás
lágrima
orgasmo
movimento

enfim
tudo que é, em mim


tempo

canção proibida



Escrito por Felipe Lesage às 17h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil


BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, vila mariana, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English
MSN - felipelesage@hotmail.com



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Dysfemismo