acho que toda felicidade que posso conceber existe, de alguma forma, em mim. algo dessa existência, que cansa de palavras e sorrisos, e mora cada vez mais na clandestinidade dos viveres, nas frestas esparsas onde passa uma luz empoeirada, quebrando convenções vivenciais, obedece a uma simples regra de se reinventar, de não ser amor, não ser dinheiro, planos ou profissão. felicidade é uma palavra que faz questao de se desintegrar em mim, pra que possa reencontra-la nos mais absurdos, e lembrar que o estalar do teto da velha casa guarda em um som milhares de dimensões, que tudo que foi ser feliz ainda foi. o plano era ser famoso, era ser disney, era ser tudo que cabia debaixo do edredom colorido, com medo do teto rangente noturno. e agora, que os sonhos nao cabem mais? agora é melhor, é mais ainda. agora é ser o sonhar, e olhar o ser como janela do sonho, deixar-se rasgar algumas abas de madeira da ventana pra que bata luz, refletindo um raio na velhice do quarto escuro e que, a despeito do sol, do calor de um mundo que nao existiu pra mais ninguem mesmo, cresceu paralelo, e de um jeito único. é hora de dar as caras a tanta gente que na verdade também receia rasgar as retinas à luz solar.
dedicado ao meu amigo daniel chueke
Escrito por Felipe Lesage às 00h51
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